segunda-feira, 28 de março de 2011

A era da informação demais

Eu não prometi que voltaria? Então. Ei-me. OK, acho que essa construção não existe, mas eu acho que vocês entenderam aonde eu quis chegar. Depois de algum tempo escrevendo para alguns lugares distintos sobre assuntos pontuais, cá estou eu, escrevendo sobre o que bem me interessa. E, após muita reflexão, decidi que nada me interessa. Porque, vejam bem... Nesta geração de twitter, na qual podemos falar sobre tudo que temos vontade, é mais fácil decidir o que NÃO interessa. E, meus amigos, se tem algo que o twitter me ensinou, é que existe um vasto grupo de coisas desinteressantes nesse mundo. E qual não foi minha surpresa ao descobrir, mais de 8 mil tweets depois, que faço parte deste desagradável bando?

Sabem... Quem diria que dá pra falar tanta merda em 140 caracteres? Surpreendente, não? Mas cá estamos nós, nessa superação diária, ficando cada vez mais insuportáveis. O twitter criou uma coisa de opinião compulsiva que, convenhamos, é CHATA PRA CARALHO. E não estou me tirando dessa, não... Pelo contrário. Sabem, eu nunca fui de acumular fãs, sejamos bem francos, mas pessoas que costumavam me achar no mínimo inofensiva parecem ter desenvolvido verdadeiro ASCO pela minha pessoa graças ao twitter. Ele mudou meu jeito de pensar? Não. Fez de mim uma pessoa pior? Não. Eu sempre fui igualmente podre. Mas antes eu precisava ARTICULAR meus pensamentos podres em posts. É trabalhoso, sabem. E no meio do caminho, a tendência é repensar. “OK, isso pode soar ofensivo demais”. Mas o twitter acabou com isso na minha vida. Eu não ligo se é ofensivo demais. O blackberry está na minha mão, a ideia na minha cabeça e, panz, ofendi alguém. Em 140 caracteres. É tudo deliciosamente prático e eficiente e eu... Bem, eu só precisava de uma arma rápida o suficiente para libertar minha bully interior. Eu tô muito on fire.

A graça (e o problema) do twitter é que lá é onde você começa a realmente ver a personalidade das pessoas, né... É meio como o BBB. Com aquela facilidade toda de falar, você acaba exibindo sua personalidade em algum momento, mesmo sem querer. Você está lá, com seu smartphone na mão, preso no engarrafamento e... Pronto. De repente, eis um tweet babaca comentando sobre a ineficiência do transporte público no Rio de Janeiro. Você não queria dizer isso, sabe. Você nunca quis ser uma dessas pessoas. Mas sucumbiu. E seus seguidores viram. Com o tempo, as fraquezas se tornam mais frequentes... As pessoas interagem. É um tal de mention e RT te tentando. Você quer ter RTs, você quer ver suas palavras ecoando. As coisas vão acontecendo... E, do dia pra noite: pronto, é um estereótipo de twitter. Não se acanhe, meu amigo. Estamos todos no mesmo barco. Somos todos, enfim, gigantescos estereótipos. Eles são vários, e se encontram em vários momentos. E pessoas como eu, propensas à compulsão, tendem a se encaixar em todos. E odiar todos ao mesmo tempo. É bem confuso, na verdade.

Elaboremos sobre isso... Um dos estereótipos mais básicos é o povo foursquare. Veja bem: claro que o povo foursquare não posta SÓ localização. Falo de um conceito mais abrangente; em geral, o simples fato de uma pessoa aderir ao foursquare já diz muito sobre ela. O povo foursquare é um pouquinho mais sem noção que o resto, no sentido de que não se incomoda de simplesmente falar onde está. É uma coisa na qual obviamente ninguém está interessado, mas e daí? Você quer dizer onde está, sabe-se lá por que. E diz. A pessoa foursquare é geralmente aquela que acorda e fala "hum, sono". É aquela que sente fome e diz "hum, fome". É aquela que pode informar, sem maiores constrangimentos, que está vendo televisão. Sem nem especificar o programa, claro. Isso seria trabalhoso demais. Eu sempre recriminei o povo foursquare, mas agora eu vejo que eles não são tão diferentes de nós, aliás. Na verdade, são até mais práticos. Não precisam nem se dar ao trabalho de digitar uma irrelevância, há um aplicativo que cuida disso tudo. Smart.

Aí, do outro lado, tem a galera da opinião. A galera da opinião está muito convencida de que, bem, tem algo importante pra dizer. Então, o que acontece, eles têm um processo. Geralmente atestam um fato, por exemplo: “a polícia matou nãoseiquantos. Acho chato.” Vejam bem, os opinativos sentem um pouco de remorso, ao contrário dos foursquare. Eles tentam disfarçar a própria irrelevância com uma informação antes. Seduzem o leitor de forma a fazê-lo acreditar que aquilo ali é de alguma maneira importante. E aí, quando você menos espera... BAM, OPINIÃO IRRELEVANTE. E eles tendem a terminar a opinião assim, com duas palavras. Talvez três. Pra aumentar o efeito de choque, sabem. Eles não vão simplesmente jogar um fato ou um sentimento. Eles vão contextualizar. E provavelmente usarão memes da década passada para enfeitar aquela opinião. Os opinativos são bem espertinhos, esses aí.

Aí tem os engajados. Os engajados vão aderir a todo tipo de hasthag e movimento que tiver rolando. Os engajados vão botar twibbon, os engajados vão amar o Rio, os engajados vão rezar pelo Japão, os engajados vão dar RT em apelos pelo Egito, pela Líbia, pelo Piauí... Os engajados vão morrer de pena da capela da ECO pegando fogo. Os engajados são admiráveis, até, porque acreditam numa coisa de força da internet que eu acho comovente. Nem todos os engajados acreditam que uma hasthag vá mudar qualquer coisa, claro, mas no fundo no fundo eles curtem sentir que estão movimentando, construindo, que estão participando de algo maior que eles. Os engajados são os órfãos da ditadura que, na falta de uma galera pra ir pra rua reclamar da vida, querem participar via twitter. São tímidos, ineficientes e frustrados visionários. Mas visionários, há de se reconhecer. E isso é corajoso num mundo cada vez mais apático.

Os engajados são especialmente corajosos porque lidam com uma raça perigosa... Os anti-engajados. No caso, eu. Os anti-engajados não só não querem participar de nada como vão zoar todos que, dear god, OUSAM participar. Os não-engajados são os bullies da TL. São aqueles que não podem ver uma hasthag que querem atacá-la tal qual uma piñata recheada de docinhos. Os anti-engajados curtem oprimir, ver o circo pegar fogo, causar constrangimento. Os anti-engajados veem um tweet engajado e zoam logo depois, refocilando na inibição dos oprimidos. Nós, os não-engajados, somos os covardes. Nós, os anti-engajados, zoamos quem twitta em outros idiomas, quem twitta citação, quem lamenta algo particular... Nós somos chatos, implicantes, escrotos. Nós somos os babacas. Os engajados, tímidos que só eles, calam-se perante nossa opressão. Veem um manifesto anti-engajamento e pensam “é, melhor não”. E se retiram pra almoçar sozinhos no banheiro, porque os não-engajados tão tocando o terror no recreio.

Aí, tem aqueles que não são engajados nem anti-engajados: são os “questionadores”. Esses são bem irritantes. Eles se recusam a assumir uma posição sobre o assunto do momento. Eles opinam sobre alguns assuntos, claro, mas sempre sobre pautas frias. Jogam uma coisinha aqui ou acolá, nada que possa criar muita intriga. Mas, quando o negócio esquenta, eles ficam na deles. Ficam quietinhos, à espreita, apenas aguardando enquanto os anti-engajados soltam toda a munição em cima dos pobres engajados. E aí, lançam um questionamento bombástico. “O que é pior: se lamentar ou atacar quem se lamenta?”. O ataque é esperto porque é em frente dupla. Ele provavelmente receberá comentários dos dois lados da questão, e brincará de advogado do diabo. Jogará um engajado contra um não-engajado, e se sairá como o “ponderado” da questão. Lamentará a polarização de sua timeline, pobres seres radicais, e observará do alto de seu trono de reflexão e racionalidade. Os questinadores não apartam a briga, jamais. Eles incitam a polêmica. Como inspetores de colégio que, vendo o pau comer, deixam a parada ficar feia o suficiente antes de chamarem a diretora da escola. E narram tudo em detalhes sádicos, recheados de julgamento e satisfação contida. São semeadores silenciosos da discórdia.

Em paralelo a tudo isso, ainda temos os monocórdicos, ou seja, aqueles que só sabem falar sobre um assunto e o esgotam até o fim. Temos os monocórdicos de futebol, os monocórdicos de MMA, os monocórdicos de cinema, os monocórdicos de televisão... Varia. Os monocórdicos, em geral, não curtem sair do assunto. Eles veem seus twitters como, por que não, uma forma de utilidade pública. Os monocórdicos têm informação e opinião, eles buscam fundamentar o que dizem e gostam de pensar que as pessoas vieram a seus twitters por um motivo. Eles querem fidelizar, garantir que aquele cara que chegou até ali por um motivo não vai dar unfollow. Unfollow é um TEMOR ABSOLUTO do monocórdico, e ele VAI EVITAR QUE ISSO ACONTEÇA. Nem que isso signifique segurar a vontade de comentar a eliminação do BBB. Ou de comentar aquele gol ridículo que só o Renato Abreu poderia perder.

Os twitters monocórdicos, e aí é importante diferenciar, às vezes sequer são intencionais. Tem gente que só sabe mesmo falar de um assunto só... Tem gente que, realmente, na falta de coisa melhor pra fazer, só sabe fazer maratona de séries. Só sabe ir ao cinema e achar coisas sobre os filmes. Só sabe ler o globoesporte.com e reclamar das contratações do time. São espécimes emg eral solitários, devo dizer, mas geralmente autênticos. Tendem a não sair muito disso. Já os monocórdicos intencionais, e eu digo isso por experiência própria (já tentei ser uma), são calculados, cuidadosos... Mas têm seus dias contados. A tentação é forte e, em algum momento, o cotidiano vai sair pelos seus dedos. E aí é questão de tempo... Até você perder seus seguidores fiéis, receber unfollows dolorosos e ler indiretas. Ah, meus amigos, digo a vocês que dói. Mas passa. Afinal... Quem aguenta quem só sabe falar de uma coisa só, né não?


No fim das contas, somos todos muito muito chatos. E acho que sempre soubemos disso, mas é cmo dizem: nada como a convivência para trazer o que há de pior nas pessoas. E foi isso que o twitter fez. Permitiu que todos convivêssemos diariamente, como uma grande e disfuncional família. Eis que, do nada, estou ciente de cada passo do dia de dezenas de pessoas com as quais eu sequer troco duas palavras no msn. Eu sei o que elas comem, o que elas ouvem, onde elas almoçam e qual tipo de bunda preferem. E elas aprendem que eu odeio engarrafamento, citação da Clarice Lispector e gente que atravanca a Lagoa no meio da minha corrida de sábado. O problema disso tudo é que ninguém perguntou. E meio que ninguém quer saber. O fato é que, em menor ou maior escala, todos viramos informação demais.

terça-feira, 9 de março de 2010

Dia da Mulher: a farsa do neorromantismo canalha (e como caímos como imbecis)

Datas como este RIDÍCULO dia internacional da mulher me tiram do sério. E não como mulher, mas como ser humano. Não só acho de um mau gosto EXTREMO reservar um dia para a mulher – nascemos assim, não é mérito, e me sinto particularmente segregada com um dia só "meu" -, mas como acho que funciona como um combustível ÍMPAR para a hipocrisia humana. Primeiro que a data é um típico alívio de consciência da galera que acha que é só criar um feriado para amenizar anos de maus tratos. A boa e velha retratação hipócrita.

Guardadas as devidas proporções, é o mesmo princípio do feriado da consciência negra. Tipo “po, mal ae pelos grilhões e as chibatadas e essas vibes negativas, mas olha só, em sua homenagem, vamos nos aproveitar da sua luta e mataremos trabalho enquanto aplacamos nossa consciência escravizadora com todo esse esclarecimento pós-moderno”. A diferença é que, em vez de grilhões e chibatadas, as mulheres foram amaldiçoadas com o fardo da procriação, subserviência e pilhas de louça suja. E vou te falar que, entre tomar umas chicotadas e ter que gerar uma prole, eu vou na primeira opção fácil; o chicote não vai me embarangar pra sempre e ainda sai BEM mais em conta!

Enfim, o dia da mulher é aquele em que o homem compra uma rosa vermelha (oh, que original, hein?) e um cartão para sua devida cônjuge e deseja, cheio de orgulho de toda sua infinita sensibilidade: “parabéns, meu amor, pelo seu dia”. Esse, aliás, é o dia em que este mesmo babaca vai dormir com um sorriso de orelha a orelha porque, meu deus, em 365 dias, ele encontrou UM para ser fofo com sua mulher e ainda pagar de gostosão entre seus amigos igualmente babacas. Seria cômico se não fosse trágico.

Claro, é ÓBVIO que vai ter um monte de marmanjo falando que o meu post é papo de mal comida. Mas, newsflash: às vezes nosso problema não é falta de pica. Pica, aliás, é uma coisa SURPREENDENTEMENTE fácil de se conseguir se uma garota, por pior seja, esteja disposta a baixar seus padrões, meus amigos. Ainda nessa nota: às vezes, o problema não é TPM, ou um desequilíbrio hormonal ou simplesmente nossa natureza feminina “irracionalmente sensível”. Às vezes, algumas de nós ficam irritadas simplesmente por não gostarem, e com muitíssima razão, de alguma coisa. ASSIM COMO OS HOMENS, minha gente.

E sim, eu rejeito DE VERDADE o dia da mulher. Não, não é pose. Não, eu não me derreti secretamente quando recebi os parabéns de meus colegas de trabalho. E não, eu não desejei, no íntimo de meu ser, que algum maravilhoso homem tivesse me enviado um buquê de flores ou trazido café-da-manhã na cama. E não porque eu não deseje essas coisas. Digo, realmente NÃO desejo as flores, porque ao contrário de roupas, elas acabam e, ao contrário do chocolate, não te fornecem endorfinas enquanto ainda vivem. Me dê um presente útil, por favor. Mas enfim, quem não ama café da manhã na cama? Quem não ama cafuné, ou dormir de conchinha, ou ver o UFC abraçadinho comendo China in Box e bebendo coca zero? Claro que eu desejo todas essas coisas,. Mas primeiro: NÃO É SÓ MULHER QUE DESEJA ISSO. E segundo: eu desejo isso num dia qualquer, sem hora e data marcada, porque estou ao lado de uma pessoa que me acha realmente especial. E não porque o resto do mundo está fazendo a mesma coisa.

Isso não é um manifesto feminista. Pelo contrário. Eu, aliás, nunca queimaria um soutien na vida – até porque meus soutiens de enchim... Digo, sustentação, custam caro para caralho. Sou super não-feminista, e não acho que homens e mulheres sejam iguais. Muito pelo contrário: somos radicalmente diferentes (e por isso que eu não aguento mulher e só tenho amigo macho). Mas ainda assim acho triste como as mulheres acabam se prestando a certos papéis em dias como ontem. Comovidas, tocadas, derretidas com toooodo este carinho, e ainda recriminando as “insensíveis” que OUSAM criticar o dia da mulher, aquelas criaturas frias que ou “não merecem o carinho”, ou “estão fingindo não querer, mas por dentro só querem ser amadas”. Até aí, é verdade: acho que todas nós queremos carinho e ser amadas. E acho que todos os homens também. É uma coisa bastante humana e biológica, na verdade. A diferença é que nem todos o queremos do mesmo jeito. Para mim, carinho não é receber uma rosa e um “parabéns”, para, no dia seguinte, ser tratada como uma qualquer de novo. Carinho não é ser especial em um único dia, junto com todas as outras pessoas dotadas de vaginas do mundo.

E as mulheres baterem palminhas e aceitarem essas migalhas afetivas como foquinhas amestradas apenas estimula a proliferação dos babacas pseudo-românticos que se acham OS caras porque têm frases feitas estúpidas e sabem muito bem o que falar para agradar - mas pulam fora na primeira oportunidade. Este personagem, aliás, parece estar se tornando cada vez mais presente no cenário urbano... Sabe, aquele tipo de pessoa que acha, alimentado por legiões de mulheres que também se julgam incrivelmente românticas (mas que, curiosamente, vêem romance em mulherengos e misóginos como aquele safado do Don Juan de Marco, que só queria saber de comer geral), que é o CÚMULO do romance, apenas porque trata "bem" (?) todas as várias mulheres que pega e descarta. Call me old-fashioned, mas eu ainda acho que isso é simplesmente reprovável e, btw, muitíssimo anti-romântico. Acho romântico um cara querer estar com você e SÓ com você. Ele te pegar e mandar mensagens com palavras bonitas no sábado à noite quando está a fim de uma rapidinha não é nada romântico.






Nota do editor: deixo claro que não tenho problema com canalhas que se reconhecem canalhas. Acho louvável, aliás! Tenho problemas com aqueles que acham realmente necessário criar todo um ritual e ainda terminam a situação se sentindo maravilhosos com eles mesmo por terem tratado aquela belíssima donzela tão bem durante os 30 minutos (se ela tiver MUITA sorte) de troca de fluidos corporais.

Carinho é você estar com uma pessoa e ela tirar o cabelo do seu olho pra te ver melhor. Carinho é mandar uma mensagem bonita, do nada, porque você lembrou da pessoa e de como gosta de vê-la sorrindo. Carinho é não ter medo de falar que uma mulher está linda ou que aquele vestido a deixa com uma bunda simplesmente sensacional, sem medo de pagar de babão. Carinho é se permitir ser fofo em um dia qualquer, quando não necessariamente os outros homens do mundo o estão sendo também.

E isso eu, assim como todo mundo, quero também. Mas quero de verdade, com sinceridade, quando eu menos esperar. Isso não faz de mim uma vaca "mal comida", ou uma pseudo-devoradora-de-homens. Pelo contrário: faz de mim uma pessoa tão sensível que faço questão de me sentir especial sozinha, e não junto com todas as outras mulheres do mundo. Egoísta, eu sei. Mas não insensível.


Beijos de uma eterna não-feminista.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Arraste-me para o inferno... Mas nunca para o carnaval!

Como dita a tradição, a chegada de uma época do ano me leva a destilar todo o ódio que fica engarrafado o ano inteiro em relação a esta cidade escaldante. Não, não é o Natal. Ao contrário do que muitos acreditam, eu não sou uma 'do contra' que odeia qualquer data festiva. Eu amo o Natal. O Natal envolve presentes e comida. Quem não ama presentes e comida? Pessoas chatas e desagradáveis que têm cem gatos e rejeitam a humanidade. Não eu. Eu não rejeito a humanidade. Só a porção escrota dela.. Que é tipo graaaande parte, mas não tudo! Ah, vocês sabem quem são ;D

Enfim, não, não é o Natal. E também não é o Ano-Novo (sim, é assim que se escreve, o grande Borges assim o disse e quem sou eu para desafiar o homem que redigiu os primeiros hieroglifos?). Apesar de muitos já estarem familiarizados com a minha visão um tanto quanto amarga do réveillon, , na realidade, o que odeio não é a ocasião em si, mas a pressão que é colocada para que ela seja espetacular. E eu acho que qualquer programa é simplesmente incapaz de ser tão legal quanto as pessoas acham que o réveillon deve ser. Então eu espero muito pouco dele. O que é bom. Este ano, por exemplo, quando eu passei a virada na redação, voltei sozinha para casa e segui para lá às 8h da manhã do dia seguinte, apenas para me deparar com um deslizamento de proporções épicas e passar as primeiras 14 horas do ano em frente a um computador para ainda ser emocionalmente sacaneada no final do dia, eu sobrevivi! Eu sobrevivi, amigos.

Imaginem só o que teria sido de mim caso eu esperasse algo decente do réveillon! Eu provavelmente teria me matado, certo? Mas não! Eu fiquei bem tranks com o pior começo de ano que eu já tive. Viram só, um bom exemplo de como uma pessoa 'copo meio vazio' pode estar muito melhor preparada para lidar com a merda fumegante que é a vida do que pessoas naturalmente alegres.

Mas voltando, porque eu me desviei TOTALMENTE do caminho, como sempre... A data (neste caso, uma interminável sucessão de dias) que esculacharei é o carnaval. Meus leitores mais antigos sabem como eu me sinto a respeito do carnaval. Digo, levando-se em consideração meus sentimentos em relação a praia, marcas de biquíni, sandálias rasteirinha e débeis (?) mentais bêbados de regata e havaianas com a bandeira do Brasil, é apenas natural que eu rejeite o carnaval. Mas o negócio de falar mal da ocasião é que basicamente todas as críticas já foram feitas. Na realidade, todo mundo se irrita no carnaval. Todo mundo tem o celular roubado, ou é chifrado, ou se vê perdido num mar de pessoas suadas, sem camisa, sem desodorante e, principalmente, sem pudor. Todo mundo acaba usando um adereço embaraçoso, como uma anteninha, asas ou um maldito boá cor-de-rosa. Todo mundo acaba tendo fotos no mínimo escrotas que vão parar no orkut de pelo menos umas 15 pessoas. Todo mundo ganha uns 3 quilos só de pança. Todo mundo fica feio, lustroso e brega. Na real, era pra todo mundo odiar o carnaval. Mas rola uma negação psicológica tão massiva que este espetáculo dos horrores se repete todos os anos.

Eu diria que os motivos pelos quais alguém GOSTARIA do carnaval me escapam totalmente. Imagino que em parte seja aquela noção embutida do carioca de que 'carnaval é legal', e 'é tempo de amar', e 'ser feliz' e todas essas coisas românticas que a galerinha Chico Buarque fez questão de perpetuar no imaginário urbano. Em parte é aquela coisa de socialização, porque no carnaval você tem licença para ser um babaca e dialogar com totais desconhecidos sem receber olhares atravessados ou sprays de pimenta. Em parte é aquilo da 'solteirice', porque enquanto no frio você tem que se trancar em casa, assistir a filmes e se conformar com a solidão, no carnaval você pode sair e pegar várias pessoas feias e desestimulantes para as quais você nem olharia em outras ocasiões e se sentir no topo do mundo. Não sei, talvez tenha a questão da auto-estima feminina, já que os homens estão tão bêbados e cegos de luxúria que vão chamar aquela gordinha mais lustrosa de 'gostosa'. Eu diria que boa parte provavelmente odiou aquela porra toda, perdeu uma namorada, alguns amigos e uns 300 reais mas esteve tão bêbado o tempo todo que talvez tenha presumido que aquilo foi tudo muito legal.

Enfim, eu poderia falar sobre as pessoas mijando na rua. Eu poderia falar sobre o trânsito caótico. Eu poderia falar sobre aquela MERDA DE MÚSICA HORRÍVEL E POBREZA QUE ME FAZ VONTADE DE ME ENFORCAR COM UMA LINGUIÇA TOSCANA TODA VEZ QUE COMEÇA A TOCAR. Eu poderia falar, quem sabe, sobre como as pessoas ficam feias, fedidas e (mais) desagradáveis no carnaval. Entre outros. Mas eu acho que, este ano, deixarei apenas o questionamento: existe algum motivo para você, meu querido amigo carioca, gostar do maldito carnaval?

Pensando bem... Nem pensa muito, não. Ou daqui a pouco você vai começar a perceber que quase tudo na sua vida é um grande engodo. E, acreditem, não é uma experiência divertida. Faz o seguinte, continua curtindo aí seu carnaval... Só curte baixinho, para que eu possa pelo menos aproveitar meu filminho no conforto do meu lar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Manifesto do eu

Culpo a profusão de ferramentas de manifestação virtual pela minha ausência.

Sério. Você imaginaria que a invenção do twitter, com seus breves vômitos verbais, e do facebook, com suas atualizações constantes de status, trariam uma multiplicidade de assuntos para se falar a respeito... Mas não! Na verdade, essas ferramentas só fazem transformar todos os assuntos em gigantescos clichês. E, por mais que eu me reconheça como um gigantesco clichê - e quem não é?-, nada me dá mais medo do que arquitetar frases clichê. Paradoxal, não? E bastante clichê, se você pensar a respeito. Mas vocês ficariam surpresos com o tanto que meu medo de reiterar o óbvio ainda me assombra diariamente.

Enfim, divagações filosóficas à parte, com esse excesso de informações e "trending topics" do cotidiano, fica extremamente difícil expressar ideias que fujam do óbvio, mas sem cair na irrelevância. O medo de ficar reafirmando o óbvio se choca com o medo de falar sobre assuntos desinteressantes, e eu acabo entrando numa verdadeira espiral de dor criativa toda vez que sento aqui para escrever. Antes, eu me sentia bem espinafrando a Jessica Alba sem motivo aparente, ou fazendo analogias espertinhas a respeito dos lábios da Keira Knightley, mas agora eu sinto que esse discurso já não é mais novo, tampouco diferente, e, sinceramente, não é mais "eu". O que seria um discurso "eu", ainda está para ser determinado. Mas estou lentamente procurando ele, respeitando minha aversão a temas socialmente relevantes como o meio ambiente ou a rodada de Doha, mas ao mesmo tempo evitando cair no "eu" excessivo de pessoas que twittam a respeito de seus cafés-da-manhã.

Mas o problema com todo processo de autoreflexão é que você acaba se tornando obcecado consigo mesmo. No momento, estou assim: só penso em mim mesma. Por um lado, estou aprendendo muito sobre o ser "Fernanda Prates" ( o fim de um relacionamento longo tira certas "muletas" e instiga uma reflexão forçada), mas, por outro lado, estou me afastando do convívio social porque, se essas quantidades abusivas de "Fernanda" já são demais para mim, imagine para os outros. Não quero expor terceiros ao meu egocentrismo estratosférico, e talvez por isso tenha evitado o momento de verbalizar algo por aqui. Porque todas as vezes em que tentei parar e falar sobre um livro, uma série ou uma música, parti para mim novamente. E não gosto do resultado final. Em parte, porque tenho medo de decepcionar meus leitores. Mas também tem o medo bastante egoísta de não querer ficar no vácuo, de ter medo de soar estúpida, de ouvir "foda-se"s mentais.

Mas eis que hoje decidi deixar fluir e o resultado é o que vocês estão vendo aqui. Provavelmente vou me arrepender de me expor tanto depois (e ainda vou editar esse texto prolixo e repetitivo umas mil vezes), mas agora está sendo uma experiência bastante legal.

Já que estamos nessa vibe de brainstorming egocêntrico, eis outra questão que me intriga: a tal da "exposição". Engraçado como as pessoas, principalmente com essa obsessão DOENTIA pelo "politicamente correto", entram nessas viagens de "você se expõe demais", "você é muito aberta", "você tem que TOMAR CUIDADO". Aliás, essa é dourada: o tal do TOMAR CUIDADO.

Sim, temos que tomar cuidado. Sim, auto-preservação (e que se foda se esse hífen caiu ou não, o blog é meu e eu violo as regras que eu quiser) é importante, mas isso precisa ser às custas da nossa identidade? É engraçado como todas as campanhas, slogans e propagandas de shampoo pregam a "autenticidade" quando, na verdade, é justamente essa autenticidade que é combatida todos os dias. É combatida quando não podemos falar "palavrões" (que ALGUÉM decidiu que são feios, portanto, todos devemos obedecer), quando não podemos CRITICAR a religião alheia (porque ALGUÉM decidiu que religião é tabu), ou até quando não podemos simplesmente falar "hey, gosto de você, vamos nos ver?" ou "super não rolou para mim, beijos".

E, nesse último caso, não é uma questão de "respeitar os sentimentos dos outros" (por mais que isso nos faça dormir melhor à noite), e sim uma questão de não querer se expor, se abrir, ou, DEUS ME LIVRE, demonstrar vulnerabilidade para outro ser humano. E daí surgem todos aqueles joguinhos ridículos que envolvem o começo de grande parte dos relacionamentos - obviamente fadados ao fracasso com esse início de manipulação e desonestidade.

Temos um horror total e absoluto à exposição, quase tanto quanto temos à irrelevância, e isso, para mim, é um dos aspectos mais torturantes da vida moderna. É um tal de "pesar as palavras" totalmente excruciante. Acho curiosíssimo como o mais liberal dos seres ainda olha para mim com aquela cara embasbacada quando eu falo a palavra "mijar" (e por que ela é pior que "urinar, mesmo?). E mais estranho ainda como, a essa altura do campeonato, alguns homens têm que usar ternos quentes no calor de 40 graus do Rio, e mulheres "poderosas" têm que andar para cima e para baixo com saltos gigantes nas pedras portuguesas do centro da cidade. E por que, mesmo? Porque ALGUÉM determinou que pessoas importantes se vestem assim. ALGUÉM determinou que advogados e executivos têm que usar ternos, por menos influente que seja uma MERDA de um terno na capacidade de alguém de defender um caso ou fechar um acordo multimilionário.

Vejo o mundo como uma grande e gorda melancia: por fora, é esférica e frondosa, mas por dentro é 90% água, 8% caroço e 2% de paradinha cor-de-rosa escrota para caralho pro negócio parecer mais convidativo.

P.S: aguardo o comentário do BABACA que vai falar que gosta de melancia, como se eu estivesse negando o gosto de alguém aqui.

Enfim, entendem meu ponto?

É tudo de uma hipocrisia tão gigantesca que me dói o estômago o pensamento de ter que ir lá fora e colocar minha carinha-de-pessoa-feliz e enfrentar o mundo dessa maneira. Sabe, às vezes não somos pessoas felizes. Às vezes somos pessoas tristes, ou amargas, ou angustiadas. Mas não podemos SONHAR em demonstrar isso. AI de você se chega no trabalho com cara de choro, bolsas embaixo dos olhos ou algum sinal de desânimo. Isso porque, por mais que as pessoas se mostrem compreensivas e calorosas, por dentro elas estão te achando fraca. Porque as pessoas, quando estão bem, não conseguem compreender plenamente quem está mal - por mais bem intencionadas que sejam. Pessoas tristes, abatidas, ou "problemáticas" são elos fracos. E talvez você cuide, converse ou simpatize com a causa de seu amiguinho de coração partido, mas, no fundinho do seu coração, você está achando ele um belíssimo pedaço de bosta cósmica. E isso é simplesmente perturbador.

Talvez por isso tantas pessoas procurem se expressar através de músicas, poesias, textos crípticos e prolixos . É como se as inversões gramaticais, floreios verbais e metáforas inventivas, de alguma maneira, "disfarçassem" sua vulnerabilidade. Aquilo ali não é você, aquilo ali é apenas um poeta, um músico, um escritor. Você é forte, claro que é. Seu eu-lírico que é fraco, tadinho! Tenham pena dele, não de você. CLARO que é ótimo se expressar artisticamente, claro que uma válvula criativa é algo no mínimo desejável. Mas por que essa seria a única maneira "socialmente aceitável" de demonstrar sua humanidade? Já diria REM: "everybody hurts, everybody cries". Se todos sabemos disso, por que continuamos a agir como se isso fosse imoral de alguma maneira?

Eu já tentei, mas não consigo ser essa pessoa "poética". Não consigo enfiar uma faca numa garrafa de coca zero e falar que aquilo ali expressa meu "eu-interior". Se eu quero expressar meu maldito eu-interior, eu falo: MEU EU-INTERIOR ESTÁ COMPLETAMENTE FODIDO. E por mais que eu tenha refletido bastante antes de fazer esse post, ou de me "expor" dessa maneira (até porque no maldito mundo do trabalho você não pode OUSAR falar o que você pensa nem mesmo no SEU msn, com amigos que VOCÊ selecionou), eu penso que vocês, que sempre acompanharam meu blog, apreciem pelo menos em alguma medida essa minha "abertura" total. Porque, com todos os meus defeitos (e eles são abundantes e profundos), eu não peço desculpas por mim mesma e defendo plenamente meu direito de ser tosca e irrelevante (e de criticar a irrelevância e tosqueira dos outros, óbvio).

Sabem, eu não sou idiota. Eu estou ciente de que as convenções sociais não mudarão de uma hora para outra. Sei muito bem que "vou apanhar muito na vida se continuar desse jeito", que "eu preciso me preservar porque hoje em dia os RHs de empresas investigam a merda do seu orkut e não te contratam se você 'odiar segundas-feiras'", ou que "eu posso assustar as pessoas com a minha personalidade". Aliás, acho até fofo que pessoas que se julgam muito compostas, maduras e intelectualmente superiores venham gentilmente oferecer esse tipo de "conselho", como se eu fosse algum tipo de débil mental simplesmente porque não ajo como uma "jovem mulher", composta, educada e sem pêlos de gato nas minhas calças jeans. Queridos, acreditem, eu ESTOU ciente.

Mas, na moral? Se eu não for escolhida para um emprego por causa das minhas comunidades no orkut, essa OBVIAMENTE não é uma empresa na qual eu queira trabalhar - até porque meus companheiros de trabalho provavelmente seriam "Sandy"s, "Kaká"s e "Grazi"s da vida. E quanto a assustar as pessoas... Ah, bem, isso significa apenas que as que ficarem por perto realmente valem a pena. E sim, talvez eu ainda passe por maus bocados nessa vida por ser dessa maneira. Mas pelo menos eu vou poder xingar os tais dos bocados sem medo de ser feliz.

Meu sonho é, um dia, conseguir ligar o "foda-se" total para o mundo. Enquanto isso, vou ligando-o esporadicamente e aturando eventuais crises de consciência e pensamentos de "putz, não acredito que falei isso". Porque, na boa? Os segundinhos de liberdade valem a pena.

Fica a dica ;D

Beijos

domingo, 18 de outubro de 2009

The young and the restless

Sim, tenho que atualizar mais.

Agora que voltei a sair à noite, lembrei porque eu me recusava a fazê-lo pra início de conversa.

Para exemplificar, sigo a sugestão de Tom Leão, contando-os sobre minha última noite de domingo. Eis que vou parar num lugar chamado "2a2". O nome faz mais sentido colocado no contexto: trata-se de uma casa de suingue. Relaxem, amiguinhos, eu não fui fazer suingue. Por mais que trocar experiências sexuais com um analista de sistemas com problemas de calvície e sua mulher oxigenada que se recusa a acreditar que já passou dos 40 me pareça uma ideia MUITO especial, esse não é exatamente meu tipo de programa. Ocorre que a tal da "2a2" também funciona como boate, e, na ocasião, eu fui para a tal fox rocks. Observando a lista no orkut - maravilha da contemporaneidade: você pode ter uma ideia de quem vai aparecer num lugar porque todos irão pão-durar cinco reais colocando seus nomes em listas de desconto virtuais -, imaginei que fosse ser minimamente razoável.

Fui.

Se ao menos eu soubesse que as pessoas tendem a colocar o nome em TODAS as listas virtuais, mesmo quando não vão, teria me precavido. Já chegando na fila, o susto: o que todas essas pré-adolescentes de meia arrastão estão fazendo aqui? E com garrafas de cerveja? Nesse sentido, acho que é uma coisa meio da humanidade se chocar com os hábitos da geração imediatamente anterior. Eu, por exemplo, me choco com as menininhas de 11 anos com garrafas de cerveja, meias-arrastão e desembaraço sexual precoce. Mas enfim. Lá estavam todas elas, no auge de sua rebeldia e acne pré-adolescentes, reunidas.

Pensamento inicial: "puta merda, sou velha".

Pensamento subsequente: "puta merda, sou linda".

Novamente, entendam: eu não me acho uma pessoa bonita. Não falo isso com qualquer senso de falsa modéstia, ou procurando elogios (até porque não sei reagir a elogios, é tipo um defeito social ), é apenas uma constatação absolutamente sincera e sem recalque. Não sou nem nunca fui uma pessoa "bonita" no senso comum da palavra. Mas aí você vê que beleza é uma coisa relativa. E, relativamente falando, eu estava simplesmente um arraso. E, entre os caras de chapinha, os de regata e aqueles que, por algum motivo que me escapa COMPLETAMENTE, ainda usavam rabo-de-cavalo, não era difícil se sentir uma rainha.

Nota para os homens: RABO-DE-CAVALO É ERRADO. NENHUM HOMEM FICA BONITO DE RABO-DE-CAVALO. NENHUM. NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Um homem pode ser bonito APESAR do rabo-de-cavalo mas nunca, NUNCA, POR CAUSA dele. E não se iluda achando que seu cabelo comprido e liso disfarça de alguma maneira sua feiura facial. Na verdade, só realça.

Enfim, lá estava eu, entre as pré-adolescentes embriagadas, os homens de rabo-de-cavalo e as gordinhas cujas pernas rolicinhas se projetavam para fora das meias-arrastão tal qual um presunto se projeta para fora da rede ao ser pendurado em um açougue - bem o tipo que curte caras de rabo-de-cavalo. E eu. Sozinha. SOZINHA. Sabem, em filmes de terror, em geral você não fica tão bolado quando a mocinha ainda tem seu parceiro/irmão/melhor amiga com ela. Você sabe que a situação ficou TENSA quando geral morre e ela tem que voltar sozinha na casa dos horrores e tirar a faca do estômago do irmão para garantir sua própria sobrevivência. EU ERA ESSA MOCINHA. A versão gordinha, estabanada e socialmente inapropriada dessa mocinha, claro. E os mutantes sanguinários do meu filme não queriam me matar, e sim SOCIALIZAR. Tipo MUITO PIOR. Porque pelo menos você está agindo em legítima defesa quando mata o mutante da serra elétrica. Como você vai justificar para o juiz o cara que "só queria ser seu amigo"?

Cara. Eu não sou uma pessoa tão escrota com os outros. Eu juro que super dialogo com as pessoas e dou "bom dia" e "boa tarde" e converso sobre o tempo e seguro a porta do elevador. Outro dia eu ajudei um ceguinho a atravessar a rua e o caralho. Mas para por aí, sabe? Eu não quero me estender em diálogos profundos com o senhor rabo-de-cavalo. Eu não quero saber se ele faz kung fu e acaba de trancar o quinto curso na UniverCidade. É isso que dá, não dá pra sorrir pros outros e tratar direito, ou a galera começa a achar que eu sou legal e aí eu tenho que fingir simpatia e interesse. E isso é simplesmente desgastante.

Mas enfim.

Não entrei na merda da boate, é ÓBVIO. Digo, se eu já quis me matar com aquela companhia em um lugar aberto, por que diabos eu iria me trancar numa CASA DE SUINGUE com pessoas de rabo-de-cavalo? E lá fomos nós achar outro lugar na cidade. Mas, com feriado na segunda, parece que todo o Rio de Janeiro decidiu que PRECISAVA sair. E é outra coisa do jovem, né? Tipo, "ter que sair". AI de você se COGITAR a ideia de pedir comida, alugar um filme e passar seu sábado assistindo filmes do Van Damme de roupão e coberta de farelos de chocookie. Correção: ai de você se cogitar fazer isso tudo SÓBRIO. Porque se você estiver chapado ou bêbado, o resto da juventude vai até achar legal.

Diálogo 1:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."

Diálogo 2:
"Po, ontem fiquei em casa vendo filme sozinha a noite toda."
"Tadinha..."
"Po, eu tava chapadona."
"IRADO, por que não me chamou?"

Viram? Exemplo empírico. Isso é tipo retrato da juventude.

E enfim, cortando a história porque tava ficando longa, acabamos não entrando em lugar nenhum porque tava tudo lotado. E eu fiquei puta por não ter entrado. Sendo que eu nem queria entrar em lugar nenhum pra início de conversa. Esquisito, não? Por algum motivo bizarro, a ideia de me enfiar num ambiente fechado e barulhento com um monte de pessoas que eu não conheço (e de maneira geral não faço a mínima questão de conhecer) não me parece propriamente atraente, mas mesmo assim eu faço. Acho que é aquela coisa do homem de querer andar em bando, se "enturmar" e "estar perto de seus semelhantes". Mas é aí que eu começo a me preocupar: quem seriam os tais semelhantes?

Entre a galera da meia arrastão e o rabo de cavalo, os metidinhos com calças de couro falso dos anos 80, mullets e tatuagens de estrela nos ombros, as garotinhas do Leblon com seus vestidinhos-envelope da Cantão, sandálias-gladiador e marquinhas de biquini, e a galera da Lapa com suas saias no joelho, seios libertos e vinis dos Mutantes e do "Chico", eu fico com a nítida impressão de que devo ser um alienígena. Mas acho que alguns de nós simplesmente não foram feitos para "pertencer". E às vezes isso incomoda. Às vezes bate até uma certinha invejinha daquelas pessoas que têm álbuns como "ah, o verão!" no orkut e fotos de trenzinho com umas 40 garotas idênticas com apelidos monossilábicos. Às vezes, você só quer fazer parte de algo...

Mas às vezes você simplesmente acha essa galera toda muito escrota.

Agora que reflito sobre a questão, estou bem feliz com meu grupo de amigos inescrupulosos, politicamente incorretos e que também ADORAM sacanear a roupa dos outros e desrespeitar os gostos, crenças e defeitos de nascença alheios. Porque nós somos assim. Escrotos, intolerantes e ocasionalmente ofensivos. That's how we ROLL, bitch.

Oh, céus, será que isso significa que somos outro tipo de estereótipo adolescente? Será que o fato de de rejeitarmos totalmente o resto da juventude faz de nós típicos jovens?

Ah, bem, desde que não criemos mullets...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Work experience: pagando para ser explorado

"O Work Experience USA® é um intercâmbio de trabalho indicado para estudantes que desejam ter uma experiência internacional de trabalho, praticar inglês e ganhar em dólar."

Sou só eu que acho que tem algo muito errado com essa frase?

A safadeza do povo norte-americano é diretamente proporcional à capacidade do brasileiro de ser otário.

Engraçado como os malditos americanos conseguem a esperteza de contratar adolescentes instruídos para limpar privadas, catar lixo e servir comida, ao mesmo tempo em que eles movimentam a economia dos próprios Estados Unidos com o dinheiro que ganharam contraindo fungos na virilha dentro de fantasias peludas. Jovens estes que, mesmo sendo expulsos do país sem dó nem piedade assim que perdem sua utilidade mercadológica, submetem-se aos mesmos esquemas humilhantes da embaixada norte-americana sucessivamente para poder repetir a "experiência" de exploração.

Sinceramente. Se tem uma coisa da qual o povo norte-americano não pode ser chamado, é de burro. Porque isso é simplesmente GENIAL. Por que se preocupar em dar uma educação de base meramente decente para seus jovens, se eles sempre terão jovens bem mais inteligentes, cultos e educados para fazer trabalhos braçais, enquanto seus jovens burros e atrofiados podem ficar em casa comendo frango frito e assistindo The Hills?

A genialidade do esquema é mais louvável ainda porque eles conseguiram esconder a exploração de tal maneira que as pessoas sentem que estão ganhando uma OPORTUNIDADE com a situação. Ou, e essa palavra é realmente especial, "currículo". Realmente, porque "limpar vômito de hambúrguer" e " tirar gelo de teleférico" são realmente habilidades indispensáveis para um futuro advogado. Aliás, é o momento de ouro de toda dinâmica de grupo quando aquela loirinha de mochila da Jamf comenta, com sutil desdém, sobre "como aperfeiçoou seu inglês" quando ficou de babá de algum bebê loirinho e racista em uma hilltown no meio do nada. Wow, hein. Palmas em slow motion pra você.

Meu problema não é a questão do subemprego. Eu não tenho absolutamente NADA contra subemprego. Acho que a pessoa tem que fazer o que a faz feliz, e, assim como alguns ficam felizes removendo apêndices supurados, outros são felizes repetindo mecanicamente "all the way to the left" para criancinhas apáticas em parques de diversão. Tanto que os maiores gênios da humanidade ou se mataram ou ficaram completamente dementes, enquanto milhões de eternos viradores-de-hambúrguer estão por aí curtindo suas vibes e fazendo sexo horrores. Cada pessoa acaba priorizando uma esfera da vida e, para muitos, a esfera profissional fica em segundo plano. Há quem queira uma carreira, há quem queira uma família, há quem queira dinheiro, há quem queira ser ex-BBB, há quem escute Mallu Magalhães. De fato, cada um entende sua felicidade melhor do que ninguém.

O que me incomoda, na realidade, é apenas a hipocrisia e esse falso senso de "chance única" que é colocada nessa situação. O jovem que ganha um "emprego" depois de passar por um processo longo - como se esse tipo de serviço exigisse uma mão-de-obra altamente qualificada - acaba se sentindo "privilegiado", como se estivesse sendo muitíssimo reconhecido por suas incríveis habilidades. Um reconhecimento pelo qual ele pagou bem caro, aliás.

Longe de mim dar lições de moral ou entrar no mérito da sociedade capitalista exploradora. Vocês sabem bem que eu bebo coca, escuto The Donnas e importo KitKats. Não tenho nada contra a adesão à cultura norte-americana, britânica, afegã, indiana ou o que quer que esteja na moda no momento. Mas eu fico bastante revoltada de ver pessoas estudiosas, inteligentes e muito mais qualificadas do que a grande maioria dos jovens da mesma idade de outras nacionalidades se prestando a esse tipo de papel sem nem parar pra pensar no seu verdadeiro valor. Acho que é importante que o brasileiro não aceite o olhar atravessado daquele burocrata de embaixada que se julga superior apenas por ter nascido em um lugar hierarquicamente superior. O problema não é fazer as coisas, e sim fazê-las sem parar pra pensar no que elas representam.

De fato, o pior cego é aquele que não quer ver. Tá na hora de tirar a venda.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bem-vindo ao mundo real: é uma droga, você vai adorar!

Descobri que não atualizo nunca porque me sinto na obrigação de escrever verdadeiros testamentos e eu não tenho mais tempo para isso. Então, vocês terão que se contentar com textos mais curtos, estúpidos (sim, é possível), ou desconexos. É isso aí.

Aliás, não tenho mais tempo nem para escovar os dentes.

De verdade. No trabalho, domingo, almocei e só fui escovar de noite. Meio nojento, eu sei, mas estava sozinha, várias coisas aconteciam no mundo e minha higiene pessoal ficou em segundo plano por alguns segundos. Na real, vou confessar a vocês que acho meio engraçado essas pessoas que levam escova de dentes para a faculdade ou ocasiões sociais. Eu nunca faço isso. Quando muito, mastigo um trident. Meio feio admitir isso, mas fazer o quê? Não sou uma pessoa menos limpinha e cheirosa por isso.

Pelo menos eu lavo meu cabelo sempre, enquanto várias mulheres passam semanas sem lavar em uma tentativa infrutífera de manter o aspecto liso. O que também é bem engraçado, porque lá para o terceiro dia começa a se formar um capacete oleoso e visivelmente imundo, mas rola um pensamento de "Ah, antes sujinho do que frisado".NÃO. Pelo convívio que tenho com homens, posso GARANTIR que eles preferem pegar uma mulher CARECA do que um que cheira a coalhada com limão. Fica a dica.

P.S para o "mondo bizarro" do dia: MACAULY CAULKIN PODE SER PAI DOS FILHOS DE MICHAEL JACKSON. Eu acho que não fica muito mais esquisito que isso. Talvez se anunciassem que a Rosie O' Donnel é a mãe - situação hipotética, já que todos sabemos que ela devora sua cria. Junto com a placenta. Como um canídeo. Ou o Tom Cruise. Mas sério, contemos todos os elementos bizarros dessa situação toda: Michael Jackson + sêmen + Macauly Caulkin + Liza Minelli = PARENTING FAIL. Se a natureza fosse realmente perfeita, existiria algum tipo de mecanismo contra esse tipo de embróglio. E, a não ser que a seleção natural queria nos levar por um caminho bastante insólito, essa é a hora em que Darwin diria "Mal aí, galera. Me enganei. A porra toda não faz sentido nenhum, mesmo!". Queria ter um botão de "FF" (fast forward, não follow friday, seus monte de junkie virtual), porque já sei que algo excepcional vai sair dali. Com sorte, teremos a cura para o resfriado. Ou o futuro algoz da humanidade.

De qualquer maneira, estarei satisfeita.

Chato isso de não poder escrever muito, mas o fato é que estou sem tempo para nada.

Mentira. Tenho tempo para várias coisas. Menos as que me fazem feliz.

Já tinha saído do muay thai, agora tive que sair do jiu-jitsu e provavelmente terei que abrir mão de caprichos como coca light e oxigênio em breve.

Não escrevo mais no blog, porque estou ocupada escrevendo coisas excruciantemente relevantes para a sociedade.

Não socializo mais à noite, porque depois das 22 eu só quero saber de botar meu pezinho para o alto e aproveitar o delicioso abraço do meu edredom listrado.

Não vejo mais TV, porque os televisores parecem emitir vibrações mágicas que me fazem dormir instantaneamente.

Não converso mais com meus amigos, porque não quero submetê-los ao ser humano deprimente que tenho sido nos últimos tempos.

Quando sou obrigada a conversar, só sei falar do meu estágio e não consigo sequer fingir interesse sobre o que os outros têm a dizer.

Sonho que fiz merda, acordo sobressaltada e passo o dia com a impressão de que estou perdendo alguma coisa muito importante.

Estou com o celular na mão o tempo todo, para o caso do meu chefe precisar de mim (o que nunca aconteceu, aliás).

Não tenho energia para elaborar comentários engraçadinhos a respeito das situações. Várias vezes, até tenho eles na cabeça, mas falar dá tanto trabalho que eu prefiro deixar para lá e me contentar com uma risadinha besta e não-sagaz.

Sei o que significam nomes como Palocci, Minc, Dilma, Lina, Lobão (não o desequilibrado, sujo e interessante) e Haddad. E até menciono eles como tópicos aceitáveis de conversa durante o jantar.

Estou raivosa, irritadiça e mal humorada 90% do tempo. (OK, bem, talvez nesse último sentido eu não tenha mudado taaanto)

Escrevo posts sóbrios e ridículos (como esse) no meu blog sem me tocar do quão desinteressante e babaca estou soando.

Enfim, conseguiram me domar. Acho que crescer é isso, né?! Abrir mão de tudo que me faz feliz, abafar todos os meus traços de personalidade e ainda agir como se fosse uma pessoa mais "madura" e "bem resolvida" por isso. Então era ISSO que todos da ECO estavam fazendo desde o primeiro período.

E eu achando que EU era a problemática...

Não quero mais ff, quero rewind. Dá tempo?