sábado, 25 de abril de 2009

Eurotrip: versão condensada.

Vamos lá, primeiro post pós viagem. Muito para falar, pouco espaço. Vou me concentrar em Paris, porque Roma já rolou no outro post.

Engraçado como, quando você está viajando, você só consegue pensar em voltar para contar a todo mundo sobre tudo, e, depois que você chega, implora silenciosamente para que parem de te perguntar a respeito. Desculpem, não que eu não goste de falar sobre tudo, afinal, não sei se vocês notaram, mas eu sou uma pessoa levemente comunicativa, mas são as perguntas vagas que começam a estressar. Tipo "Poxa, gostou da Europa?".

Não, não gostei. Tudo muito bonito e sensual e climaticamente agradável para o meu gosto. Não sei como eu poderia sobreviver num lugar onde eu não passo 90% do dia suando como uma leitoa gorda e não tenho o prazer de observar pedreiros desdentados olhando para a bunda de toda e qualquer vadia mal vestida que passa pela rua.

Observação sociológica importante: europeus realmente não nutrem o hábito de olhar para a bunda das passantes. Sério. Nem no metrô! É bem curioso, considerando que as bundas aqui parecem construir um campo de atração magnética fortíssimo sobre o olhar masculino. Homens, não tentem se defender, até o melhor de vocês inevitavelmente faz isso. Até involuntariamente. Não precisa ter vergonha, acho que é uma coisa biológica, mesmo. E, bem, as européias também não têm muito a oferecer nesse departamento. São majoritaramene varetas.

Mas enfim. A resposta para a pergunta óbvia é: sim, eu gostei da Europa. Eu AMEI a Europa. Aliás, ver a Europa me fez perceber com toda a clareza do mundo que eu não pertenço ao Brasil. Por mais desagradável, prepotente e anti-patriótico (hum, acho que esse hífen não existe mais) que isso possa soar para algumas pessoas.

Como fiquei pouco tempo, obviamente estava mais ou menos restrita à programação turística habitual. Nesse quesito, não tenho muito a acrescentar. Sim, o Coliseu é legal, mas é esquisito porque ele fica tipo NO MEIO da cidade. Você imagina que vá andar por um campo verdejante e superar verdadeiros obstáculos pela chance de observar uma das construções mais majestosas da História, certo? Errado. A primeira vez que eu vi, aliás, foi bem por acidente. Meio que mata um pouco o impacto quando você só repara na construção porque estava bem atrás de um cara comendo uma pizza que parecia muito deliciosa. Tá, mentira, não é tão trivial assim. E é majestoso, sim. Só é... Hum... Diferente. Mais do que posso dizer pelo Arco do Triunfo que, desculpa aí, é só um arco. Mesmo.

A Torre Eiffel não. Ela é realmente impactante. Eu fiquei BOlada quando fiquei olhando por baixo. É viajante. E subir nela teria sido ainda mais viajante, não fosse o fato de que eu e Giulia estávamos presas no topo da porcaria, às 23:20 da noite, congelando, e morrendo de medo de perder o metrô. Em nossa defesa, não tinha fila lá embaixo, e pensamos que seria uma coisa rapidinha, sabe, entrar, olhar e voltar para casa! Mas é CLARO que tinha uma fila do tamanho do Maracanã para subir ao terceiro andar lá emcima. E não foi tão legal assim chegar em casa e encontrar minha vó pronta para chamar a polícia, uma vez que já passava de meia noite e suas duas netinhas tapadas estavam soltas por Paris. Acho que a polícia era mais pra proteger Paris de nós duas do que o contrário.

Mas o highlight pra mim foi Giverny. Na real, Giverny não é muito turistão. Digo, até é turístico (tanto que só tinha turista conosco, inclusive dois brasileiros exageradamente comunicativos), mas poucas pessoas sabem a respeito. É uma cidadezinha nos arredores de Paris, onde ficava a casa de Monet. Monet era minha obsessão de infância. Eu lia "Linéia no Jardim de Monet" religiosamente todas as noites - às vezes 2 vezes por noite, quando eu não conseguia dormir por motivos de ansiedade (em geral na véspera da Páscoa). Foi aí que descobri Giverny. Mas enfim. Lá tem a casa e o jardim com a famosa ponte japonesa! Na verdade, são umas 80 pontes japonesas (vou confessar que até agora não sei qual era a oficial), além do Lago das Ninféias, que é verdadeiramente lindo. Na verdade, é tudo lindo. Estar lá me fez começar a compreender o que poderia inspirar uma pessoa como Monet. É, sou paga-pau mesmo, e fiquei mais ainda depois da viagem. Para chegar a Giverny, basta pegar um trem em Paris (na gare St. Lazare) até Vernon, e de lá são 5 minutinhos de ônibus até Giverny. Além da casa em si, as cidadezinhas são infinitamente fofas, vale só pelo passeio!

Ainda na vibe do Monet, recomendaria o museu Marmottan. Novamente, nem todos conhecem. E pequeno e acolhedor, e tem a maioria das obras (incluindo o meu all-time favorite, "impressão do sol nascente"). E bem vazio, não é caro e não tem aquela coisa opressiva e high maitenance dos museus grandes. Outro legal é o L'Orangerie, com as Ninféias pintadas em toda uma sala circular, fazendo um ângulo de 360 graus. No andar de baixo, tem toda a coleção de um cara cujo nome esqueci, que incluía coisinhas básicas como Cezánne, Matisse, Renoir e semelhantes. Eles têm até uma maquete de como era a casa desse tal colecionador. Realmente rolava mais de um Cezánne simplesmente pendurados no meio da sala de jantar. Tenso.

Ai, gente, é muita coisa pra falar! Vou ter que continuar em outro post, mas enfim... Os outros museus... O L'ouvre é como falam: gigante e nada acolhedor. Eu passei a manhã inteira para ver tipo 6 obras. Mas os japoneses são um povo muito especial e conseguem completar o circuito em 15 minutos, é uma coisa bem curiosa de se ver. E ainda possuem uma capacidade extraordinária de bater umas 48 fotos do mesmo quadro por segundo. Eu ainda acho que esses turistas são robôs programados pelo governo japonês com o intuito de raptar toda a arte do mundo. Se for essa a idéia, vai funcionar, porque eles estão em todo lugar. I mean it. Enfim, eu gostei de algumas coisas, mas o mais legal é o Código de Hamurábi. Ah, ah, e o quadro do Barco da Medusa, que é lindo. Ah, ah, e o quadro da coroação de Napoleão!E a moça alada sem braços da entrada. Acho que ela era importante. Mas não tão importante quanto a outra moça sem braços. Que era meio sem graça.

E meio que dane-se a Monalisa. Existem outros quadros mais interessantes do Da Vinci.

O D'Orsay é, de fato, mais legal. A Coleção é mais "pop", e tem mais obras mais modernas. Sem contar que não é tão gigante e opressivo quanto o Louvre. Tem Monet (*-*), Gaughin, Matisse, Degas, Renoir, Toulouse-Lautrec (I-RA-DO), Sisley, Seurac e por aí vai. Tava rolando uma exposição do Rodin, mas eu nem me ligo muito nele. Nem me ligo em esculturas, na verdade, prefiro pintura. E já tinha visto tipo um bilhão delas em Roma. Depois de uma hora, você começa a ficar blasée pras coisas. Mas anyway...

Ah, sim, ainda no papo de museu... POMPIDOU É UM SACO. Aquelas porcarias modernosas irritantes. Um Picasso aqui e ali, mas, overall, chato e repetitivo. Além de MUITO caro, paguei 9 euros com tarifa reduzida. Li que havia coisa do Cartier-Bresson, mas não encontrei em lugar nenhum. E vou admitir que não tentei muito, também. Para piorar, ficavam passando filmes do Buñuel ao fundo, enquanto vários pretensiosos de arte rodavam pelo museu fazendo "hums" e "ahs" e dando explicações inexistentes para qualquer que fosse o monte de arames retorcidos sendo observado no momento. Cheguei a ver quase tudo, não gostei de quase nada, e ainda acho a melhor parte foi quando decidi sentar num banco parar o livro que comprei por 6 euros num sebo. Um sebo, aliás, MUITO IRADO. Era uma lojinha pequena, com livros em inglês até o teto, uma coisa linda. Só levei um, tanto porque não tinha mais espaço na mala, quanto porque já tinha gastado todo meu dinheiro em Camden Town, em Londres (uma rua só com roupas alternativas a preços acessíveis, só vendo para crer).

Camden foi uma loucura total. Tínhamos uma hora e pouco para ver tudo. Eu, que estava de colete, suéter, trench coat e all-star de cano alto, acabei ficando só de camiseta e calça jeans para poupar tempo na hora de experimentar roupa. Aquele frio de foder e eu andando de camiseta e com o cadarço todo desamarrado, entrando que nem uma doida nas lojas e vestindo uma roupa em cima da outra. Um cara pareceu ficar extremamente puzzled quando avisou que meu cadarço estava desamarrado e eu respondi que era proposital, pois isso ajudava na hora de tirar a roupa. Depois eu fui perceber que essa frase deixava espaço para interpretações maliciosas. Mas enfim. Deu pra levar tudo que eu queria, além de várias outras coisas que eu não queria mas levaram o melhor de mim na empolgação do momento. Incluindo uma jaqueta quadriculada abusivamente "Sid Vicious" que suspeito que vá ficar encostada no meu armário por vários anos. Em minha defesa, eu estava doidona com espírito consumista. Acontece com os melhores de nós.

O resto de Londres é meio que um blur. Cheguei lá às 8:30 da manhã e fui embora umas 8:30 da noite. Todos falaram que Londres em 12 horas era uma idéia demente, mas eu e Giulia somos meninas muito corajosas e fomos mesmo assim. Corajosas ou estúpidas, ainda estou em processo de decisão. Mas valeu a pena, e eu ainda andei de Eurostar! Tá, o Eurostar não é tão legal quanto eu imaginava. Acho que fui meio ingênua de achar que veria o fundo do mar em algum momento. Eu até fingi que era brincaceira, que não acreditei realmente que veria alguma coisa, mas eu juro que achava que ia ver tipo uma arraia ou coisa assim. Afinal, a parada do Eurostar é que ele passa embaixo do mar, não?! Tá que eles nunca fariam um túnel de vidro e, mesmo que fizessem, provavelmente seria um breu total e seria muito fundo para existir qualquer coisa. Poxa, mas quem sabe um peixe abissal, sei lá... Fiquei meio triste. Mas enfim. Eu lembro de uma roda-gigante, um relógio gigante, chuva, chuva, guardas com roupas idiotas e eu checando meus dedos constantemente para garantir que ainda não tinham ficado pretos e caído. Quando minha prima falou que o clima estava "ameno", eu acreditei. Nota mental: Londres nunca é amena. Enfim, foi tudo muito rápido, mas eu fui no London Dungeon (e gastei, sem brinks, 2 (DUAS) horas numa fila com crianças espevitadas), na Traffagal Square, no London Eye, na National Gallery (entrei, vi os Girassóis de Van Gogh, saí) e comi Fish and Chips num autêntico pub. Com autênticos ingleses bêbados antes de meio dia. Foi irado. Especialmente a parte do Fish and Chips. Mas, novamente, eu poderia ter aproveitado mais se ainda tivesse algum tipo de sensibilidade nas minhas extremidades. Felizmente, quando removi meu lindo all-star de caveirinha, pude constatar que meus pés ainda existiam.

Cara, ainda tem MUITA coisa, mas vai começar American Idol e o Adam Lambert manda muito bem nessa apresentação (pra variar). Eu provavelmente vou voltar a falar da viagem aqui (até porque minha vida é chata demais em condições normais).

P.S: os italianos são bonitos, mas muito metidinhos.
P.S2: os franceses não são tão bonitos, e bastante atiradinhos.
P.S3: pan au chocolat é abusivamente delicioso e merece um monumento próprio.
P.S4: o padeiro que me vendeu o pan au chocolat também.
P.S5: não sei de qual cidade gostei mais, porque são vibes muito diferentes. Paris é mais agitada e borbulhante. Roma é mais "cozy" e tem mais cara de "lar". E não posso julgar Londres, porque não houve tempo hábil.
P.S6:o metrô de Paris F-E-D-E.
P.S7: as mulheres em Paris fedem.
P.S8: Versailles é perda de tempo.
P.S9: fotos no meu orkut.

9 comentários:

Pedro Eler disse...

adorei o post! adoro relatos de viagem, ainda mais feitos por fernanda prates sobre paris, londres e roma!

Ah, e os japoneses são sinistros mesmos. Em Washingtons era assim também, estavam por toda parte com suas cameras nikon sinistras tirando mil fotos, falando muito e rápido e correndo para outros monumentos... sério, acho que eles só olham para as cidades que visitam através das lentes das cameras, o que é bem triste...

Ah, e museus são um saco, pode admitir! Eu até gosto dos museus de história e tal. Mas museus de arte eu entro, vejo os Monets e Renoirs - meus favoritos - e aí vou embora... nao tenho paciencia... e chega uma hora que realmente vc fica já achando tudo igual e pouco impressionante.

Ah, amanha conversamos mais! Para a alegria de todos temos aula!!! Estou vibrando de alegria!

Cesar disse...

Aeee!!! Finalmente o post da viagem!!

Acho super válido conhecer o que puder de Londres em doze horas, afinal de contas, é melhor do que não conhecer porra nenhuma de Lonres em nenhuma hora. E Roma tem cara de ser bem cozy e linda-clichê mesmo.

Uma vez eu li em algum lugar que o fedor do metrô de Paris as vezes fica tão intenso que o governo recebe reclamações dos próprios parisienses, que, imagino eu, são os próprios responsáveis pelo problema. Anyway, quanto aos museus, bem, eu também prefiro pinturas a esculturas. E concordo que depois de uma hora de museu a mente começa entrar em modo stand-by. Enfim, adorei esse relato inicial! Espero que venham outros.



PS: Voto a favor da publicação de mais fotos de Londres no seu Orkut!

=**

pacheco disse...

Os melhores lugares para se visitar em cidades famosas são lugares pouco famosos, e os programas mais divertidos e interessantes não são visitas a pontos turísticos... infelizmente, nunca viagei com tempo de sobra!

É muito interessante... a sala da Mona Lisa fica ENTUPIDA de gente, e logo ao lado tem a sala com o quadro da coroação de napoleão, quase vazio!

Ótimo post! Aguardo a parte 2 =)

Acabei o prozac nation! Gostei bastante, quero ver o filme mas temo que seja uma merda. Começarei agora o High Fidelity, que certamente será bem melhor que o filme! (por que diabos eu gosto tanto de cinema?) Li aquele trecho que vc tinha separado, e é de fato bem engraçado!

Abraços!

Anônimo disse...

Pelo menos você não teve um francês perguntando se você era brasileira, porque era gostosa, em Montmartre.
De fato, francês é um bicho atirado.

Fernanda Prates disse...

Poxa, que bad, não tive mesmo! Tô com o ibope baixo =(

Só um francês me acompanhou até em casa e me chamou para tomar café. Mas ele não me chamou de gostosa hora nenhuma!

Já não se fazem mais franceses como antigamente...

ANDRÉ MANS disse...

oooh lala
mesmo fedendo
paris deve ser um pitel
e londres algo me diz
que passaria uma boa parte da minha vida

beijo pra vc

Manoel José de Santana(Manoel Limoeiro) disse...

Amiga meus parabéns pelo seu trabalho. Sou de Recife-PE. E vou ser seu primeiro seguidor do seu blog, pra me é uma honrra. Espero que vc seja a minha seguidora do meu blog. Um abraço de Manoel Limoeiro.

Obrigado amiga, tenha um ótimo final de semana fica com Deus. Um abraço de Manoel limoeiro de Recife-PE.

Fernanda Turino disse...

Não conheço uma pessoa que vá a Paris e não fale que o metro fede.
Sobre os japoneses: acho que eles são uma atração a parte em qualquer lugar do mundo. São tipo um ponto turístico itinerante.
Não sei se sou sua amiga no orkut, mas vou te catar para ver as fotos.

Terminou de ler a maravilhosa viagem de Theo?

tom disse...

O METRO DE PARIS SEMPRE FEDEU, SEJA INVERNO OU VERAO. A PRIMEIRA VEZ LA EMBAIXO É QUASE MORTAL PRA GENTE QUE NAO TA ACOSTUMADO (RS). E FOI COM DOR NO CORAÇÃO Q JOGUEI FORA HJ AS EMBALAGENS VAZIAS DOS MALTESERS Q VC ME TROUXE. ANTES, DEI UMA CHEIRADINHA NELAS, QUAL UM TARADO JAPONES COM CALCINHAS DE COLEGIAIS, E ARREMESSEI NO LIXO. ONDE AINDA ESTAO, EXALANDO AQUELE CHEIRINHO DE MALTE E CHOCOLATE. MERCI!!! GRAZIE!!! THANKS!!! DANKE!!! OBRIGADO!!!