quarta-feira, 24 de junho de 2009

Bebelândia, ou "Como eu gostaria de torturar e assasinar todos os backyardigans"

Voltei da bebelândia segunda-feira e, devo dizer, aí está um mundo no qual REALMENTE não quero entrar. Tipo NUNCA. Meu pai diz que eu não sou um monstro, que é natural que meu "instinto maternal" não tenha "kicked in" ainda. Mas ele me parece convencidíssimo que isso vai acontecer em algum momento. Eu sei que não vai. Nessas horas, as pessoas vêm e me dizem "ah, você fala isso agora, mas em algum momento você vai sentir vontade de ter um filho". Ainda rola sempre um "profeta" que, se achando muitíssimo engraçadinho, comenta algo como "aposto que você vai ter uns 5 filhos". Fico puta da minha cara quando falam isso. Talvez eu venha a sentir vontade de cultivar um parasitinha dentro de mim. Talvez eu não necessariamente queira, mas aconteça mesmo assim, e eu venha a aceitar o pequeno alien na minha vida.

De fato, as pessoas mudam. Mas, da mesma maneira, talvez eu passe a gostar de dançar zouk. Talvez eu vire fumante. Talvez eu comece a achar válido ficar citando termos de "Caminho das Índias" ou qualquer que seja a tortura televisiva da Globo no momento. Talvez, quem sabe, eu comece a seguir os ensinamentos de Jesus e cole um adesivo de terço no meu carro! Talvez eu seja hipnotizada e comece a crer que sou a reencarnação de Pol Pot e decida sair pelo mundo causando o mal e a destruição. Ou, mais improvável ainda, talvez eu acredite ser a reencarnação de Madre Teresa de Calcutá e saia pelo mundo causando o BEM, imaginem só! Várias coisas muito esquisitas PODEM acontecer em algum futuro, mas isso não me impede de rejeitá-las no presente, certo?! Estou no meu direito de odiá-las agora! Eu não chego para uma pessoa que me diz que odeia cebolas e falo "Ah, você diz isso agora, mas aposto que, daqui a alguns anos, você vai comer 5 pratos de fígado acebolado!". Porque EU respeito os desgostos alheios.

I mean, até certo ponto. Realmente não tolero gente que diz que não gosta de sorvete. É ridículo demais pra ser verdade. Ah, ah, ou pessoas que dizem que não gostam de coisas gerais, tipo "frutas". Eu entendo você dizer que não é exatamente fã de frutas, ou que prefere outro tipo de doce (se você for normal, OBVIAMENTE vai preferir um pedaço de torta de brigadeiro da "Confeitaria Ipanema" do que uma tangerina ridícula). Mas existem MIL frutas, de todos os sabores, tipos e consistências. Você não pode simplesmente rejeitar toda uma categoria, entende? Isso é muito coisa de filho único. Tipo falar que "não gosta de televisão". Isso é ridículo. Televisão envolve todo um universo e, se você não gosta, é porque não procurou por tempo o suficiente. Ou porque é um daqueles pretensiosos insuportáveis que gosta de escutar vinis do Bob Dylan enquanto lê Jack Kerouac e toma vinho tinto.

Ok, talvez eu seja levemente desrespeitosa em relação aos desgostos alheios. Mas, em minha defesa, os desgostos de algumas pessoas são simplesmente idiotas e sem sentido.

Já odiar bebês faz todo o sentido do mundo. Eles não só são barulhentos, desagradáveis, porquinhos e socialmente rudes (acho descortês você simplesmente realizar suas necessidades fisiológicas na frente das visitas), mas como também demandam atenção integral. Não só dos pais. Tipo, se você tá num ambiente, e rola um bebê, ele VAI monopolizar a atenção toda. Seja porque ele decidiu se aventurar por aí e caiu de boca no chão, gerando uma comoção geral - geralmente seguida de um acesso de culpa da mãe -, ou porque ele está exprimindo aquela sucessão de sons estilo "glorgh" e "ieieta", que parecem gerar certo fascínio nas pessoas. Acho até anti-evolutivo. A gente aprende esse montão de palavra, aprendemos a pronunciá-las corretamente, colocá-las em frases coerentes e montar diálogos inteirinhos, mas, de alguma maneira, o povo ainda acha muito mais fascinante quando são duas sílabas totalmente incoerentes.

É aí que eu acho que sou defeituosa. Não consigo me juntar às mulheres que ficam lá, olhando, e ainda, meu deus, COMENTAM altas coisas. E elas não só comentam, mas como fazem PERGUNTAS, tipo, genuinamente interessadas: "E ela come fruta direitinho?", ou "ela ainda tira sonequinha de manhã?". Eu não sei se é fingimento, mas elas parecem achar aquilo tudo tão relevante que é quase assustador. Digo, na minha cabecinha anti-maternal, observar um bebê brincando me parece tão atraente quanto observar os rituais de acasalamento dos lêmures selvagens. Na realidade, acho que até os rituais de acasalamento de Chris Martin e Gwyneth Paltrow captariam mais a minha atenção, mas enfim... São todas aquelas coisinhas pseudo-engraçadinhas que simplesmente me dão ânsia de vômito. Por que, de repente, palavras como "meleca" e "xixi" se tornam socialmente aceitáveis, só porque foram pronunciadas por um bebê? Porque eu sou vista com maus olhos se arroto à mesa e todo mundo fica pedindo arrotinhos bonitinhos pras mini-coisinhas? E, meu deus, como ALGUÉM pode ficar realmente interessado em assistir, às gargalhadas, enquanto um bebê tenta de todas as maneiras possíveis encaixar uma tampa em um pote?

Sem contar que viver com bebês envolve ter uma trilha sonora constante. No caso da minha irmã (e acho que 90% da população de mini-pessoinhas), são os malditos backyardigans. Eles estão em todas as televisões, sons e lojas de brinquedo do país. Estão até no carro do meu pai, já que ele fez questão de colocar um DVD de carro em frente à cadeirinha da Valentina, para que ela possa assistir o tempo todo, e eu friso, O TEMPO TODO, os malditos backyardigans. Para quem não está familiarizado, os tais dos backyardigans são uns "animais" (mais para criaturas animalóides amorfas) coloridos e roliços que cantam e dançam. Acho bonito que rola até uma mensagem de tolerância racial, porque os bichos têm altos nomes étnicos: rola um "Pablo", tipo super chicano, e uma "Uniqua", que todo mundo sabe que é nome de negona de gueto. Apesar dela ser uma formiga cor-de-rosa. Ou uma barata cor-de-rosa. Ou um gafanhoto cor-de-rosa. Sei lá, sei que tem é cor-de-rosa e tem antenas. Aí tem o Tyrone (também nome de negro), a Tasha (engraçado que também é nome de negra...), e o Austin. Eu tenho um palpite de que o Austin representa os gays. Ele tem a maior cara de bicha. Porque ele é roxo e meio andrógino. Tipo o Tinky Winky, só que sem bolsa. E eles ficam lá, dançando, e é uma coisa tão hipnotizante que você não consegue parar de olhar. Depois de 5 minutos, você se pega babando enquanto observa a barriga esférica de Tasha completar mais um movimento rotatório. É, no mínimo, perturbador. Enfim, a coisa toda é muito deprimente: eles não param de cantar, estão sempre alegres, têm "um mundo no quintal" (acho que eles falam isso em algum momento) e são amigos acima de tudo. Que tipo de mensagem isso passa para as crianças? Que a vida é feliz, o mundo é bonito e você pode ser o que quiser se se esforçar para isso? Pfft.

Enfim. É isso aí. Acho que não é novidade para ninguém aqui que eu não gosto de bebês. Ou crianças em geral. Ou adolescentes. E grande parte dos adultos. Ah, e idosos! Odeio idosos. Maas, voltando aos bebês... Mas não é que eu deseje qualquer coisa negativa para eles, claro que não. Espero que sejam muito felizes, babões e desagradáveis, por muuuuito tempo. Só que longe de mim. Assim como algumas pessoas odeiam, por exemplo, latido de cachorro, eu odeio todos os barulhinhos irritantes que os bebês gostam de fazer o tempo todo. É uma escolha pessoal.

Agora eu me vou, pois preciso de uma soneca URGENTE. Fiquei até altas horas vendo "So you think you can dance". Aliás, super recomendo. Os auditions são uma merda, e as eliminações também, mas os shows mesmo são muitíssimo divertidos. Até porque corpo de dançarino é uma coisa espetacular, mesmo. É um festival de bíceps, ombros e abdômens que não acaba mais, uma loucura. Ah, é, e rola dança também, o que é até legalzinho. Não tanto quanto os abdômens, no entanto.

4 comentários:

Pedro Eler disse...

Ahh acho que está rolando um certo ciúme do neném novo hein... Fernanda, sempre tendo que ser o centro das atenções! hahahahahaha

Eu gosto de bebês, mas só durante alguns minutos, e quando começam a chorar ou cagar ou arrotar ou babar aí está na hora de sair de perto!

E tenho certeza absoluta que você vai ter filhos um dia. Certeza. Absoluta.

tom disse...

minha visao do assunto, como pai de um parasita que gosta de vc e v-v (e, sem ele, nao teriamos te conhecido!): sabe o q é pior? festa de criança! ainda bem q nunca mais voltarei a frequenta-las. e vc tem q levar seu alien pq senao ele vira um pária na escolinha. e quem foi q disse q assim q vc vira mae tem q passar a usar umas roupas horrorosas? a cindy escapou dessa (por isso q ela é das minhas) e tbm evitei de vestir meu fetinho de mini playboy. alias, como era vc qndo bebe? fofa ou chorona? mas, lembre-se, vc precisara ter um destes, nem q seja inseminado, pq alguem tera q manter o trono de seu reino, ó, rainha do universo!

Fernanda Prates disse...

Relaxa, Tom, meu pug vai assumir o trono ;D

E quanto às festas... A boa é comer. Comida de festa de criança sempre bomba. Nada daquela viadagem de canapé de queijo brie, não. É um mundo de mini-coisinhas deliciosas!


E eu era um bebê.. Hum... Genioso. Dava chilique se não tinhas as coisas do meu jeito. E meus chiliques geralmente envolviam arremessos a longa distância.

Ou seja. Nada mudou. Ganho pontos por consistência!

Aninha disse...

eu amo bebes (alheios). mas eu nunca tive que tomar conta de um, entao sei la, acho que eu ia meio que me desesperar. mas eu acho a coisa mais fofinha do mundo haha mas eu sou mongol, vc nao =)
ps: nao se preocupa q qdo eu tiver o meu monstrinho nao vou te pedir pra ficar de babysitter. a menos que seja absolutamente necessario. :D