De todas as ferramentas inúteis da internet, o twitter tem, indiscutivelmente, a maior capacidade de produção de conteúdo inútil/improdutivo/simplesmente boçal de todas.
Isso vindo de uma entusiasta total e absoluta da internet. Nível Pierre Levy, mesmo. Adoro tudo, faço todo tipo de perfil online e ainda perco várias horas do meu dia naqueles testezinhos estilo "Quem é você nos Power Rangers", ou "Qual é seu nome de stripper?" ("Candy", pra quem ficou interessado, mas eu particularmente escolheria algo menos genérico). Com o twitter não foi diferente. Fiz, postei compulsivamente e saí contando para todo mundo sobre como aquilo era super legal. Papo de rolar BRIGA com o Miguel (quase física) acerca da magia do twitter, que, oh céus, abria tantos mundos. Imagem, meu deus, as possibilidades: em 140 caracteres você pode ser informado sobre quase tudo, ao mesmo tempo, sem precisar sair de um mesmo site. Era tudo tão absolutamente místico e informativo!
Bem, até ponto, a minha visão romântica era verdadeira. Seguindo as pessoas certas no twitter, você tem notícias atualizadas sobre assuntos de interesse. No meu caso, são Kristin dos Santos, Ryan Seacrest e UFC. Pode não parecer exatamente edificante, mas eu acho muito válido estar inteirada das últimas do mundo da televisão/entretenimento/violência gratuita e irrestrita. Em minha defesa, eu tentei seguir a BBC por um tempo, mas eles atualizam compulsivamente, tipo de minuto em minuto. Aparentemente, muitas coisas importantes acontecem no mundo o tempo todo e eles simplesmente TÊM que comunicar. Whatever, eu acho que fica um pouco chato depois de um tempo. Mas enfim, tem twitter pra todos os gostos, até mesmo pra quem curte essas paradas estranhas de notícias socialmente relevantes e cultura global. As possibilidades, como em quase todo tipo de ferramenta, são infinitas. Mas a aplicação real dessas possibilidades, assim como nas mesmas ferramentas, acaba nunca correspondendo às expectativas.
É como se qualquer possibilidade de vida inteligente no twitter acabe no momento em que você começa a adicionar amigos. Antes que meus queridos leitores fiquem ofendidos (afinal, eu sou follower virtual de grande parte de vocês), não entendam como uma crítica. TODOS somos da mais absoluta irrelevância no twitter. E por quê? Porque ele nos leva a isso. Toda a idéia dele estimula o ser humano a acreditar que o que quer que ele tenha a dizer vai, de algum modo, ser interessante para os outros seguidores. Afinal, a partir do momento em que a pessoa apertou o botão de "follow", ela está se propondo a TE seguir e ouvir, com alguma atenção, o que VOCÊ, reles mortal anônimo, tem a dizer. Para nós, seres essencialmente egocêntricos e necessitados de atenção, é tentador demais: alguém, meu deus, está interessado nas angústias de nossas almas. Por mais estúpidas que elas possam ser.
Mas o que acontece, na realidade, é que ninguém está interessado na angústia da alma de ninguém. Você está interessado em expressar AS SUAS angústias, e isso significa tolerar as dos outros. São diversos monólogos esparsos que, ocasionalmente, se encontram. Mas nunca, ou muito raramente, viram diálogos verdadeiros. Quero dizer, a gente até LÊ o que o outro tem a dizer. Tecemos o ocasional comentário, até! Mas atire a primeira pedra quem nunca leu aquele super post com dizeres como "Que frio!", ou "Fazendo macarrão à bolonhesa" e soltou um silencioso e eloqüente "FODA-SE!". Quem nunca sentiu uma vontade quase incontrolável de apertar aquele botãozinho de resposta e digitar, @fulaninhodetal, "eu não me importo"? Não precisam sentir vergonha: eu sei que vocês também julgam seus amiguinhos twitters na privacidade de seus lares. Não me iludo, também. Estou perfeitamente ciente de que, quando posto coisas como "Eu tenho o dom da salada, cara. Sério.", torno-me alvo de tantos "foda-se"s quanto já pronunciei para twitters mundo afora. E é isso aí. Eu sei disso. E isso não me impede de chegar, serelepe e fagueira, e escrever sobre como meus músculos estão doloridos.
Acredito que aquela convidativa caixinha que te pergunta, amigavelmente, "What are you doing?" apaga nossos sufocadores filtros morais. Todas aquelas coisas que você nunca falou simplesmente por achar (corretamente, diga-se de passagem) que ninguém se importa, parecem se tornar, magicamente, relevantes. Na verdade, não há mágica. Seus comentários continuam ridiculamente irrelevantes. Mas a sua irrelevância agora é validada pela irrelevância de tantos outros que estão simplesmente morrendo para descrever, em detalhes, seus cafés-da-manhã (e eu sigo uma pessoa que parece encontrar prazer especial em explicitar muito descritivamente TODAS as suas refeições). Alguns ainda se enganam: acham que têm coisas importantes a dizer. Mas eu ainda acho que a maioria sabe muito bem dos "foda-se"s, e, assim como eu, simplesmente não consegue se segurar. E ESSA é a magia do twitter.
Acho que vou perder alguns followers depois desse post, mas tudo bem. No entanto, entendam: só porque eu acho isso tudo, não significa que eu não goste do twitter. Ou que não ache válido ter um (é, no mínimo, muito libertador). Até porque algumas das melhores coisas da vida, como torta de brigadeiro ou American Idol são, em essência, absolutamente inúteis. Mas, assim como algo não deixa de ser maravilhoso só porque não tem qualquer tipo de nutriente aproveitável ou conteúdo intelectual prático, o twitter não deixa de ser super divertido só porque pode ser tão irrelevante.
E, convenhamos, se eu estivesse tão preocupada com a "utilidade" das minhas palavras, não teria mantido esse tão construtivo blog por tanto tempo, certo?!
domingo, 14 de junho de 2009
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10 comentários:
Nandinha, no dia que você selecionar seus melhores posts pra publicar seu best-seller, não se esqueça desse, ok?
Nandinha, no dia que você selecionar seus melhores posts pra publicar seu best-seller, não se esqueça desse, ok? (2)
Nandinha, no dia que você selecionar seus melhores posts pra publicar seu best-seller, não se esqueça desse, ok? (3)
Nem tenho twitter e acho que só serve como ótima ferramenta vouiyer(como escreve?). Pensa só, depois que orkut deixou de ser uma democracia da observação da vida alheia, o twitter até que tem a sua utilidade nesse departamento. Você sabe até a hora que a pessoa deu a última cagada, porque muita gente delicada adora detalhar no post o lugar específico de onde twittou.
Hahahha, é, concordo com esse ponto, Cesar. A arte de stalkear os outros ficou bem mais complicada após as viadagens mil do orkut.
;*
P.S: geeente, mas essa galera tá ficando sem criatividade pra comentar! Hahahahahha, brincadeira, gente! Pode deixar que vou guardar esse!
concordo total com vc
NAO ATENDO TELEFONE, NAO ACEITO CONVITE DE NINGUEM PRA ENTRAR EM REDES SOCIAIS, PREZO A MINHA PRIVACIDADE, ACHO TUDO ISSO MEIO DOENTIO, QUERER SER AMIGO DE ESTRANHOS A FORÇA E CONTAR A SUA VIDA PRA TODO MUNDO, EM TEXTO E FOTOS. TENHO UMA CONTA ORKUT QUE SO USO UMA VEZ POR MES PRA DIVULGAR COISAS QUE VOU FAZER COMO DJ E SÓ. NAO CURTO ESSE TIPO DE VOYEURISMO CIBERNETICO E ODEIO PGMS TIPO BBB E QUETAIS
Concordo com o Tom e também estou muito feliz sendo totalmente excluído em redes-sociais-virutais. Acho uma perda de tempo (isso de um cara que perde três horas por dia vendo episódios de Friends, The Nanny e That 70'S Show que ele já sabe de cor...). Mas, acho Twitter muito sem graça, sei lá, eu não sou um cara curioso e realmente não me importo com o que os outros tem a dizer ou estão fazendo (com raras exceções, como é o caso deste blog que leio sempre, mas porque é simplesmente muito bom...). E prefiro ser um cara antiquado e manter minhas redes socias na realidade e longe do mundo virtual.
aposto que vc ta falando da minha contagem regressiva. HAHAHAHAHAHAHAHA
eu nao tenho twitter e realmente nao tenho interesse em ter e ficar sabendo que fulaninho de tal está lendo harry potter ou vendo caminho das indias...
ainda nao entendi qual é o lance de twittar nao. eu tipo mandaria um foda-se para todo post... eu nao quero saber se sicrano esta cagando ou nao agora e muito menos quero que alquem saiba se estou com dor de barriga ou nao.
Enfim, acho que o meu vício pelo orkut me basta.
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